‘Morte Cruzada’ no Equador: Entenda a crise envolvendo corrupção e narcotráfico que fez presidente dissolver o parlamento.

O Conselho Nacional Eleitoral do Equador deve convocar eleições nos próximos sete dias e o pleito deve ocorrer dentro de 90 dias, mas o presidente pode governar sozinho por seis meses até a reposição dos parlamentares.

Pode não existir pecado ao sul do Equador, como diz a música de Chico Buarque, mas o que não falta é notícia. O país que recebe o mesmo nome do meridiano acaba de acrescentar mais um capítulo na sua turbulenta história política.

O presidente do país, o político de centro-direita Guillermo Lasso, dissolveu a Assembleia Nacional nesta quarta-feira (17) e solicitou ao Conselho Nacional Eleitoral do Equador a convocação de novas eleições para o país.

Há pouco mais de um mês, a única Casa Legislativa por lá iniciou um processo de impeachment contra o chefe de governo. Desde então, o presidente ameaçou usar o mecanismo de muerte cruzada, ou morte mútua, contra o Congresso. Apesar do nome diferente, esse é um artigo na legislatura equatoriana que autoriza o presidente a dissolver o Congresso e convocar novas eleições.Entretanto, o pulo do gato vem em um segundo ponto da lei: o chefe de Estado pode governar sem parlamento por até seis meses.

Raízes da crise no Equador
Tudo começou com uma investigação iniciada pelo jornalista Andersson Boscán, do portal de notícias equatoriano La Posta. Ele havia sido convidado para prestar depoimento ao parlamento em um processo que investiga casos de corrupção em empresas públicas — e que chegou até o gabinete do presidente Lasso.

Boscán encontrou indícios de que a campanha presidencial havia recebido dinheiro do narcotráfico, além dos problemas envolvendo a corrupção de empresas públicas e políticos aliados ao presidente. O documento conta com mais de 35 mil páginas, compiladas pela equipe do La Posta.

As investigações começaram em 2021, mas o depoimento de Boscán só veio a público neste ano — o jornalista temia pela sua segurança e da equipe de redação.

O presidente do país até tentou colocar panos quentes na situação, mas o parlamento instaurou um processo inicial de impeachment no início de março. De todo modo, foi só no dia 29 de maio que o pedido formal de impedimento foi aceito pelo Congresso — colocando Lasso em uma situação cada vez mais difícil.

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